Os sintomas típicos da depressão são bem conhecidos: péssimo humor, choro e isolamento. Mas a condição nem sempre se manifesta dessa maneira.

De fato, ela pode ficar muito bem escondida embaixo de um verniz de felicidade, tornando ainda mais difícil o diagnóstico. Nesta pesquisa realizada pela pesquisadora Olivia Remes, da University of Cambridge researcher, é discutido o termo “depressão sorridente” – uma condição extremamente comum.

CONHEÇA A DEPRESSÃO SORRIDENTE

O termo “depressão sorridente” – que consiste em basicamente parecer feliz para os outros enquanto sofre internamente sintomas depressivos – tornou-se cada vez mais popular. Artigos sobre o assunto surgiram na literatura popular, e o número de buscas no Google pela condição aumentou drasticamente este ano. Alguns podem questionar, no entanto, se isso é realmente uma condição patológica real. Enquanto a “depressão sorridente” não é um termo técnico que os psicólogos usam, é certamente possível estar deprimido e conseguir mascarar os sintomas com sucesso. O termo técnico mais próximo para essa condição é “depressão atípica” e, no fim das contas, pode ser muito difícil identificar pessoas que sofrem de depressão sorridente. Crédito: Pinterest Pessoas que sofrem dessa condição podem parecer não ter uma razão para ficarem tristes – elas têm emprego, um teto sobre suas cabeças e talvez até filhos ou um parceiro. Elas sorriem quando você as cumprimenta e  você pode até levar conversas agradáveis com elas. Em suma, elas colocam uma máscara para o mundo exterior enquanto levam uma vida aparentemente normal e ativa. No interior, no entanto, elas se sentem sem esperança e para baixo, às vezes até pensando em acabar com tudo. Aliás, a força que elas têm para continuar com suas vidas diárias pode torná-las especialmente vulneráveis ​​à realização de planos suicidas. Isso é muito sério e perigoso! Isso contrasta com outras formas de manifestação da depressão, nas quais as pessoas podem ter ideação suicida, mas não energia suficiente para agir de acordo com suas intenções.

OUTROS SINTOMAS

Embora as pessoas com “depressão sorridente” apresentem um “rosto feliz” para o mundo exterior, elas podem experimentar um genuíno aumento de humor como resultado de ocorrências positivas em suas vidas. Por exemplo, receber uma mensagem de texto de alguém que elas desejam ouvir ou receber elogios no trabalho pode fazê-las sentir-se melhor por alguns instantes antes de voltarem a sentir-se mal. Outros sintomas desta condição incluem comer demais, sentir uma sensação de peso nos braços e pernas e ser facilmente ferido por críticas ou rejeição.

Pessoas com “depressão sorridente” também são mais propensas a se sentirem deprimidas à noite e sentirem a necessidade de dormir mais do que o normal. No entanto, com outras formas de depressão, seu humor pode piorar de manhã e você pode sentir a necessidade de menos sono do que costuma estar acostumado. A “depressão sorridente” parece ser mais comum em pessoas com certos temperamentos. Em particular, a condição está ligada a quem é mais propenso a antecipar o fracasso, tem dificuldade em superar situações embaraçosas ou humilhantes e tende a refletir ou pensar excessivamente em situações negativas.

AS DIFICULDADES EM BUSCAR AJUDA

É difícil determinar exatamente o que causa a “depressão sorridente”, mas o humor baixo pode derivar de várias coisas, como problemas de trabalho, colapso do relacionamento e como se sua vida não tivesse propósito e significado. Aliás, ela é assustadoramente muito comum. Cerca de uma em dez pessoas está deprimida, e entre 15% e 40% dessas pessoas sofrem da forma atípica que se assemelha à “depressão sorridente”. Essa manifestação da depressão geralmente começa cedo na vida e pode durar muito tempo. Se você sofre de “depressão sorridente”, é particularmente importante obter ajuda. Crédito: Pinterest Infelizmente, porém, as pessoas que sofrem desta condição geralmente não o fazem, porque podem não pensar que têm um problema em primeiro lugar – isto é particularmente o caso se elas parecem continuar com suas tarefas e rotinas diárias como antes. Elas também podem se sentir culpadas e racionalizar que elas não têm motivos para ficarem triste. Então elas não contam a ninguém sobre seus problemas e acabam se sentindo envergonhadas de seus sentimentos.

COMO QUEBRAR O CICLO E TRATAR A DEPRESSÃO?

Então, como você pode quebrar esse ciclo? Um ponto de partida é saber que essa condição realmente existe e que é séria. Somente quando paramos de racionalizar nossos problemas porque pensamos que eles não são sérios o suficiente, podemos começar a fazer uma diferença real. Para alguns, essa percepção pode ser suficiente para mudar as coisas, porque os coloca em um caminho para buscar ajuda e se libertar dos grilhões da depressão que os impedem. Meditação e atividade física também demonstraram ter enormes benefícios para a saúde mental. De fato, um estudo realizado pela Rutgers University nos EUA mostrou que pessoas que praticaram meditação e atividade física duas vezes por semana tiveram uma queda de quase 40% em seus níveis de depressão apenas oito semanas após o início do estudo. Terapia comportamental cognitiva, aprender a mudar seus padrões de pensamento e comportamento, é outra opção para aqueles afetados por essa condição. E encontrar significado na vida é de extrema importância. O neurologista austríaco Viktor Frankl escreveu que o melhor tratamento para a depressão é ter um objetivo de vida.

Ele disse que não deveríamos ter como objetivo a “felicidade”, de uma forma simples e vaga. Por outro lado, deveríamos estar nos esforçando para construir na vida. Podemos encontrar um propósito tirando a atenção de nós mesmos e colocando-a em outra coisa. Portanto, encontre um objetivo que valha a pena e tente progredir regularmente, mesmo que seja um passo pequeno a cada dia, porque isso pode realmente ter um impacto positivo. Nós também podemos encontrar um propósito ao cuidar de outra pessoa. Quando tiramos os holofotes de nós e começamos a pensar nas necessidades e desejos de outra pessoa, começamos a sentir que nossas vidas são importantes. Isto pode ser conseguido através do voluntariado, ou cuidando de um membro da família ou mesmo de um animal. Sentir que nossas vidas importam é, em última análise, o que nos dá propósito e significado – e isso pode fazer uma diferença significativa para nossa saúde mental e bem-estar. Além disso, é claro, busque terapia para entender a origem da doença e também para falar sobre seus problemas! Não tenha medo ou vergonha de se cuidar. Jamais!